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Eu (me) mudei.

O que eu esperava que não aconteceria, aconteceu, eu voltei para o lugar que eu nunca deveria ter voltado. Saí daqui com várias camisas manga longa e fui para Natal, onde fiquei até que todas acabassem por causa das traças.

Fugi daquela kit-net abafada, escura, cheia de escorpiões, com pias entupidas, tetos furados que transformavam aquele pedacinho de lugar em um afluente do Rio Potengi nos dias de chuva. Aquela mesma que me forçava a beber todos os dias até desmaiar, que apesar de tão pequena recebeu tantos amigos e teve muita história.

Na verdade, não tive a oportunidade de me despedir dos melhores amigos que fiz na vida, primeiro porque detesto despedidas e segundo porque o primeiro motivo já me envergonha o suficiente, mas se tem algo que consegui aprender nesse tempo, foi o significado da palavra amizade. Completamente diferente dos meus amigos de infância, esses partilhavam das minhas ideias, ouviam os mesmos estilos de música e até fumavam da mesma marca de cigarro.

Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam “não”
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração

Penso que quando Milton Nascimento fez essa música, ele estava sentado em uma mesa lá no Pedrão, olhando para a nossa mesa, logo depois de uma dose de caninha, um gol do Flamengo, um high five com o Rob ou do Pandinha chamar o garçom de carinhoso ou quando o Paim forçava um sotaque paulistano ou quando o Danny Regata usava uma regata.

Agora estou aqui na mesma casa onde morei durante metade da minha vida, encontrei as mesmas pessoas e foi como se eu estivesse durante quatro anos em coma, as pessoas não mudaram, só envelheceram, diferente de mim, que mudei completamente. Sai daqui um garoto inseguro, preconceituoso, assustado, tímido e triste e agora sou apenas um garoto triste.

S-A-D-B-O-Y-S

Vai ser fácil me adaptar ao clima, o difícil será me acostumar com as pessoas daqui, será diferente de Natal, desta vez não terei um amigo que estará segurando a minha bike para eu não cair. Vou continuar mesmo cambaleando e sem saber frear, mas uma hora eu conseguirei pedalar sozinho, sem as rodinhas, sem os que seguravam, mas com um belo capacete, que significa todo conhecimento adquirido nesse tempo, mas também o meu cabelo.

Não escutarei Grafith na rua, nem a palavra “galado” ou um tradicional “é o freské?”, mas na minha cabeça sempre ouvirei e o que você chama de esquizofrenia, eu chamo de saudade.

Fica aqui o meu até logo para Natal, a cidade que me recebeu de uma maneira acolhedora e calorosa, em todos os sentidos. Deixo os melhores amigos, as melhores experiências, as maiores burradas, os maiores vacilos, as melhores histórias, seis ventiladores e um umidificador que queimaram no tempo.

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